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Do luxo à quase falência. Jogadores que torraram fortunas ou foram vítimas de negócios mal sucedidos

Do luxo à quase falência. Jogadores que torraram fortunas ou foram vítimas de negócios mal sucedidos

O futebol profissional pode transformar jovens atletas em milionários da noite para o dia. No entanto, o sucesso dentro de campo nem sempre é acompanhado de uma trajetória financeira estável fora dele. Investimentos mal feitos, falta de planejamento, dívidas e até golpes levaram diversos ex-jogadores — inclusive nomes conhecidos do público — a perderem fortunas acumuladas ao longo de anos de carreira. Casos recentes revelam que o risco de ruína financeira segue presente mesmo para atletas de elite.

Um exemplo emblemático no Brasil é o do ex-zagueiro e técnico Antônio Carlos Zago, que teve passagens de destaque por clubes como São Paulo, Palmeiras, Roma (Itália) e Seleção Brasileira. Após pendurar as chuteiras e iniciar uma carreira como treinador, Zago foi envolvido em um escândalo financeiro que culminou na decretação de sua falência pela Justiça de São Paulo em 2024. A decisão veio após uma cobrança judicial de mais de R$ 11 milhões por parte de credores ligados a um negócio malsucedido com vinhos importados. Parte dos bens de Zago foi penhorada, e ele enfrentou sérias dificuldades para saldar as dívidas, mesmo ocupando cargos técnicos no futebol brasileiro e internacional.

Outro nome que chama atenção é o do ex-atacante Adriano, o “Imperador”. Ídolo do Flamengo e da Internazionale de Milão, além de protagonista na Seleção Brasileira, Adriano faturou milhões em sua carreira. Contudo, após se afastar dos gramados, seu padrão de vida mudou radicalmente. Embora nunca tenha declarado falência, relatos apontam que ele perdeu grande parte do patrimônio acumulado, em parte devido ao estilo de vida extravagante e à falta de gestão financeira profissional.

Fora do país, o holandês Royston Drenthe, ex-Real Madrid, teve uma trajetória semelhante. Considerado uma promessa no início dos anos 2000, Drenthe encerrou a carreira de forma precoce e declarou falência em 2020. Ele afirmou ter perdido cerca de 3 milhões de euros, principalmente em investimentos ruins e falta de controle de gastos. O ex-jogador chegou a trabalhar como ator e cantor para complementar a renda.

O brasileiro Denílson, campeão da Copa do Mundo de 2002 e ex-jogador do São Paulo, Betis e Palmeiras, também viu seu patrimônio encolher drasticamente. Após se envolver na compra de uma empresa de calçados, acabou enfrentando dívidas milionárias e processos judiciais. Em 2022, parte de seus bens foi leiloada para quitar débitos. Hoje, Denílson atua como comentarista esportivo e tenta reestruturar sua vida financeira.

Do luxo à quase falência. Jogadores que torraram fortunas ou foram vítimas de negócios mal sucedidos

O ex-volante Fábio Rochemback, que defendeu clubes como Grêmio, Internacional e Barcelona, também acumulou problemas com a Justiça. Em 2023, seus bens foram penhorados em razão de dívidas fiscais. Em anos anteriores, ele já havia sido investigado por envolvimento com rinhas de galo, o que levantou dúvidas sobre a legalidade de seus empreendimentos após a aposentadoria.

Entre os casos mais simbólicos no futebol europeu está o do ex-goleiro David James, que defendeu a Seleção Inglesa em mais de 50 partidas. Em 2014, poucos anos após se aposentar, declarou falência e foi obrigado a leiloar pertences pessoais e prêmios de sua carreira para quitar dívidas, em grande parte acumuladas após um divórcio e investimentos malsucedidos.

Essas histórias mostram que a instabilidade financeira pós-carreira ainda é um problema sério no futebol. Apesar dos salários elevados, muitos atletas deixam os campos sem preparo para administrar o próprio patrimônio. Nos últimos anos, clubes e federações têm ampliado iniciativas de educação financeira, mas os casos continuam a servir de alerta: o fim da carreira esportiva pode marcar também o início de um longo desafio fora dos holofotes.

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Escrito por
Claudio Osti

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