
Por Edson Ferracini
Esse apego à saudade me leva à Copa de 70, ao mesmo estádio Azteca e aos meus 15 anos de idade.
Na época, já apaixonado pelo rádio esportivo, comecei a me enamorar, também, pelas crônicas esportivas dos jornais.
Desde então, da forma que era possivel na época, buscava as colunas de Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Tomaz Mazzoni, Geraldo Blota, João Saldanha…
Mas voltando à abertura da Copa – em 1970 – após o zero a zero enfandonho entre México e União Soviética, escreveu o “anjo pornográfico” Nelson Rodrigues de forma genial:
- O futebol não foi convidado!
Comparar eventos e locais, 56 anos passados, une nostalgia e história. O mesmo país e o mesmo estádio legendário, trazem de volta uma saudade moldada em legado, em “saborosa” melancolia.
- Olha, você não viu, mas foi assim!
Mas o que diria, hoje, o “anjo pornográfico?
Imaginação infértil esta. Talvez, num relance meio mágico, numa virada rápida de esquina, Nelson diria esquivando-se do assunto:
- Lembram do chute por cobertura do meio de campo contra a Tchecosváquia? Do drible de corpo espetacular sem tocar na bola contra o Uruguai? Da cabeçada a queima roupa contra a Inglaterra?
E continuaria:
Aquele futebol de sonhos não existe mais. A finesse genial deu lugar à força bruta de uma locomotiva – moderna – movida a diesel elétrico.






