Pedrinho expõe os bastidores do Vasco e defende mudanças estruturais: “Eu precisava fazer isso”

Em uma entrevista coletiva marcada pela franqueza e por duras revelações, o presidente do Vasco da Gama, Pedrinho, escancarou os problemas estruturais do clube e falou com transparência sobre o momento conturbado vivido dentro e fora de campo. Mais do que listar dificuldades, o ex-jogador fez questão de justificar decisões impopulares e reafirmar seu compromisso com a reconstrução administrativa e moral do Cruz-Maltino.
Ídolo da torcida vascaína, Pedrinho não é apenas mais um dirigente no comando do clube. Com uma trajetória marcada por talento e superação nos gramados, o atual presidente brilhou com a camisa do Vasco entre o fim dos anos 1990 e o início dos 2000. Foi peça importante na conquista da Copa Libertadores de 1998, além de ter participado das campanhas do Campeonato Brasileiro de 1997 e do título da Mercosul em 2000. Apesar das lesões que atrapalharam sua carreira, Pedrinho sempre foi visto como símbolo de raça e identificação com o clube — algo que tenta levar também para sua gestão.
No entanto, a paixão pelo clube não impede o dirigente de encarar a dura realidade. “Vou te dar alguns exemplos que eu preciso registrar”, afirmou, ao falar sobre as heranças de gestões anteriores. Segundo Pedrinho, o Vasco acumulava dívidas de IPTU há duas décadas, e a sede do Calabouço, no centro do Rio, operava com ligações clandestinas de água e luz.
“Um grupo de oposição bate dizendo que aumentamos o custo de água e luz do Calabouço. Você sabe por quê? Porque tinha gato. Aí vão ficar chateados que eu vou falar? Mas eu tenho que falar. Eu fui lá, reconheci a dívida, falei que queria pagar, e eu sou o errado? R$ 150 mil de água e luz, realmente aumentou. Porque eu quero pagar. Precisava fazer isso? Precisava. Vocês sabiam que há 20 anos o Vasco não pagava IPTU? Eu precisava reconhecer a dívida. Porque o certo é pagar”, declarou.
Desde que assumiu a presidência, Pedrinho tem tomado medidas que visam reorganizar o clube administrativa e financeiramente, enfrentando resistências internas e externas. Entre suas ações estão a retomada do controle sobre sedes históricas, revisão de contratos, auditorias internas e a tentativa de reconstruir a imagem institucional do Vasco. Tudo isso enquanto tenta equilibrar as exigências do futebol profissional com a necessidade de profissionalização da gestão.
Mas os desafios em campo não dão trégua. Eliminado precocemente da Copa Sul-Americana, o time ocupa a 16ª posição no Campeonato Brasileiro, flertando perigosamente com a zona de rebaixamento. “O processo é duro e, sem os resultados positivos em campo, a caminhada fica ainda mais difícil”, admitiu o presidente.
Mesmo diante do cenário preocupante, o clube tenta se movimentar no mercado. O Vasco reabriu negociações com o Rennes, da França, pelo atacante Andrés Gómez. Após ter uma proposta de empréstimo recusada, o clube agora considera comprar o jogador em definitivo. As conversas, lideradas pelo diretor de futebol Admar Lopes, seguem em andamento, com o Rennes disposto a negociar, embora ainda haja distância entre os valores oferecidos e o que os franceses desejam.
Ao expor os bastidores do Vasco, Pedrinho entrega aos torcedores não apenas um diagnóstico da crise, mas também um plano de ação — que, embora impopular em certos setores, busca devolver dignidade e rumo ao clube. A esperança é que, com tempo e firmeza, o Vasco possa finalmente sair da sombra de seus próprios erros e voltar a ser protagonista.






