Basquete

Adorávamos xingar o Oscar: OSCÁ-AAAR, VIAAÁ-DOOÔ!

Adorávamos xingar o Oscar: OSCÁ-AAAR, VIAAÁ-DOOÔ!

Por Rogério Fischer

Nos anos da virada do século, mais especificamente entre 1997 e 2004, adorávamos te xingar. E como xingávamos. A partir das arquibancadas do Ginásio do Moringão, sempre com oito, nove, dez mil pessoas, entoávamos nosso cântico favorito, sempre que você atazanava os juízes e entrava numas de querer apitar o jogo, a seu favor, claro. Então:

– Oscá-aaaarrrr! Viaaaá-dooô!

Tu era chato pra dedéu. Tu reclamava de tudo. Se errava um passe ou arremesso, exigia falta. Se fizéssemos marcação cerrada para você não receber a bola, esbravejava, abria o bocão, gesticulava, chegava a saltitar na quadra.

Tu montou um time – o tal Mackenzie, patrocinado pela Microcamp e sediado em Barueri – para jogar para você, para procurá-lo na quadra a fim de que você arremessasse todas as bolas, para que você mantivesse aquela marca indigesta – para os adversários – de quarenta, cinquenta pontos por partida.

Adorávamos xingar o Oscar: OSCÁ-AAAR, VIAAÁ-DOOÔ!

Adorávamos te xingar. Xingar, não. Te chamar de viado, só. Só pra ver se te desconcentrava. E o pior é que de nada adiantava. Na saída dos jogos, quando esbarrancávamos junto ao Bar do Jota, a pergunta que fazíamos, uns aos outros, era sempre a mesma: quantos pontos Ele marcou? Nem seu nome falávamos. Às vezes era maledeto. Às vezes, simplesmente “o cara”. E a resposta, dada não com raiva, mas com bom humor, invariavelmente era:

– Trinta e oito.

– Quarenta e dois.

– Sei lá, acho que uns 50.

E ríamos, rumo ao bar, na vitória ou na derrota – quase sempre derrota.

No Moringão, em Londrina, você alcançou, com a camisa do Flamengo, a marca dos 49 mil pontos, ao converter uma bola de três aos três minutos do primeiro quarto.

Naquela época, em termos de pontos, você já era maior que Kareem Abdul-Jabbar e seus 46.725 pontos. Viria a ser superado apenas por LeBron James, em 2024.

Íamos, no fundo, festejar mais uma noite em que te vimos jogar. Sabíamos disso, mas não confessávamos. Ranzinza, velhaco, chato pra caralho, mas espetacular. Sabíamos o que estávamos vendo. Amamos te xingar no ginásio, assim como adoramos te reverenciar no bar – o supremo altar da reverência.

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