Geral

Doping ainda contamina elite das maratonas: caso de Ruth Chepngetich expõe persistência do problema

Doping ainda contamina elite das maratonas: caso de Ruth Chepngetich expõe persistência do problema

Doping ainda contamina elite das maratonas: caso de Ruth Chepngetich expõe persistência do problema

A campeã queniana Ruth Chepngetich, recordista mundial da maratona feminina, foi suspensa provisoriamente após testar positivo para hidroclorotiazida (HCTZ), um diurético proibido que pode ser usado para mascarar outras substâncias dopantes. A notificação foi feita nesta quinta-feira (17) pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU), que classificou o caso como grave.

A substância foi detectada em uma amostra coletada em 14 de março. Embora não tenha sido suspensa imediatamente, Chepngetich aceitou voluntariamente a suspensão provisória em abril, enquanto a investigação seguia. Agora, com o avanço da apuração, a AIU formalizou a acusação e determinou a suspensão da atleta.

A queniana, que quebrou o recorde mundial feminino em outubro passado, ao vencer a Maratona de Chicago com o impressionante tempo de 2h09min56s, tornou-se a primeira mulher a correr abaixo de 2h10. Em abril deste ano, ela já havia se retirado da Maratona de Londres, alegando problemas físicos e emocionais — um movimento que agora ganha nova perspectiva.

O caso de Chepngetich não é isolado. Nos últimos dez anos, o mundo das corridas de longa distância tem sido sacudido por escândalos de doping envolvendo atletas de elite, muitos deles do Quênia e da Etiópia, potências históricas da modalidade.

Em 2017, Jemima Sumgong, também queniana e campeã olímpica da maratona no Rio-2016, foi flagrada pelo uso de EPO e posteriormente punida com oito anos de suspensão após mentir sobre as circunstâncias do exame. Pouco antes dela, Rita Jeptoo, tricampeã da Maratona de Boston, foi suspensa por quatro anos, também por uso de EPO.

A lista inclui ainda nomes como Diana Kipyokei, que perdeu o título da Maratona de Boston de 2021 ao ser pega com triamcinolona, outro agente mascarante. Em paralelo, o escândalo do Nike Oregon Project, em 2019, revelou práticas médicas questionáveis conduzidas por Alberto Salazar, treinador de atletas como Mo Farah — este último jamais testou positivo, mas viu sua imagem associada ao ambiente tóxico revelado pelas investigações.

Mais recentemente, em 2022, o etíope El Mahjoub Dazza, campeão da Maratona de Fukuoka e do Campeonato Asiático, foi suspenso por manipulação do passaporte biológico, tecnologia usada para detectar variações suspeitas no sangue, mesmo sem identificar substâncias específicas.

A recorrência desses casos levanta dúvidas sobre a eficácia do controle antidoping e, mais ainda, sobre o nível de pressão que atletas enfrentam para manter-se no topo. Há ainda o fator econômico: para muitos corredores africanos, as premiações milionárias de grandes maratonas representam oportunidades únicas de mobilidade social — e o doping aparece como um atalho perigoso.

Com o nome de Ruth Chepngetich agora envolvido em mais um escândalo, o atletismo de fundo volta a encarar o velho fantasma que insiste em rondar suas pistas e ruas. Enquanto recordes continuam a cair, cresce também a desconfiança: até que ponto o desempenho é humano — e não farmacológico?

Compartilhe
Escrito por
Da Redação

Da Redação

Deixe seu comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *