
Por Cláudio Osti
Bola na marca da cal.
O artilheiro do time Londrina ajeita a pelota. Não toma qualquer distância. O goleiro do Operário, que possivelmente havia visto o jogador Maceió tomar a mesma atitude semanas atrás numa disputa de pênalti, entre a Portuguesa e o Corinthians, que valia a classificação para a fase seguinte do Paulista, redobra a atenção e não se mexe. Na decisão em São Paulo, o juiz apitou e Maceió, parado ao lado da bola, ato contínuo nem respirou e surpreendeu o goleiro Hugo que possivelmente imaginava que ele tomaria distância para cobrar a penalidade. Bateu com força e guardou no fundo da rede.
Iago Teles tentou o mesmo lance. Porém já não era mais novidade. O goleiro Wágner previu a jogada. A batida veio no microssegundo após o apito. Não com tanta força. O goleiro Wágner caiu e pegou a bola chutada por Iago Teles. Começava aí o desfecho de uma tarde desastrosa para o Londrina.
O time invicto, o melhor ataque, a melhor defesa, derrotado na cobrança de penalidades.
Nos grupos de torcedores do alviceleste há uma busca insana para apontar a culpa, para responsabilizar alguém. Alguém precisa assumir a culpa pela frustração de ontem.
Mas quem? A culpa teria sido do técnico Allan Aal? De Iago Teles, o primeiro a bater o pênalti? Do ataque que perdeu vários gols nos dois tempos de jogo? Do jogador Fabiano que no último lance do segundo tempo, a três metros do gol não aproveitou um rebote dado pelo goleiro Wágner, que poderia ter dado o título ao Tubarão?
É natural. Em toda decisão de título, os torcedores do time perdedor buscam algum culpado. E, muitas vezes não há um culpado. Ontem, por exemplo, diante de 20 mil torcedores, um conjunto de fatores acabou fazendo com que o Tubarão não abocanhasse o seu sexto título estadual e de forma invicta.
Dizer que o trabalho não tem sido bem feito não é justo. O grupo de jogadores mudou muito do ano passado para cá. O técnico está há pouco mais de dois meses no cargo. Mesmo oscilando, o Londrina fez a melhor campanha do estadual. Não perdeu para ninguém.
No jogo de ontem o Londrina não começou bem, mas foi dominando a partida e teve sim as melhores oportunidades do jogo para ganhar. No segundo tempo, amassou o Operário.
O problema é que o futebol, e até por isso é o esporte mais emocionante do mundo, não prima pela lógica e tem o péssimo hábito de derrubar favoritos, de confirmar sempre que a imprevisibilidade é a sua principal arma para garantir a emoção.
Só para lembrar, os dois times paranaenses que estão na elite do Brasileirão, que mais investiram para esta temporada, Coritiba e Athletico, ficaram pelo caminho.
Londrina e Operário tiveram mérito para chegar à final.
As duas últimas semanas foram lindas. Cheias de discussões, previsões. Londrina se transformou em azul e branco. Em todo lugar viam-se torcedores com a camisa do Tubarão, bandeiras azul celeste hasteadas em frente as empresas.
O que provou, mais uma vez, que o Londrina Esporte Clube é sim um time de torcedores apaixonados.
Para a tristeza deste escrevinhador, que também é um apaixonado por esta camisa azul celeste, que esteve em vários títulos do Londrina, desta vez não deu.
Bora virar a página que esta semana tem Copa do Brasil e está chegando a Série B.
Vamos pra cima Tubarão!!!!!






