Xingamos muito o Oscar. Vai um remorso aí?

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Por Rogério Fischer

Na segunda metade da década de 1990, quando Londrina participava do Campeonato Nacional de Basquete Masculino, e até porque naquela época o Tubarão andava muito mal das pernas, uma das diversões do londrinense era lotar o Moringão para empurrar o time da cidade às vitórias. E o ginásio de esportes ficava particularmente bufado de gente quando o confronto era contra o time de Oscar Schimidt.

Sim, o “Mão Santa”, o maior jogador de basquete do País, o homem que havia liderado a Seleção na vitória contra os EUA em Indianápolis, o monstro que estabelecera todos os recordes de pontuação na história da modalidade… Sim, ele era ruidosamente xingado quando enfrentava o Londrina por 10, 12, 15 mil pessoas que o homenageavam com um sonoro “Oscar, viado!”

Passada aquela fase áurea, em que o time comandado pelo técnico Enio Vechhi chegou a se classificar algumas vezes para os playoffs do Nacional, Oscar Schimidt, já consagrado, recebeu homenagens – estas, no sentido literal da palavra – grandiosas. Entrou para o Hall da Fama do basquete norte-americano, em 2013. Não é para qualquer um. E na segunda-feira dia 13 ele voltou aos Steits, mais precisamente Nova Iorque, para outra consagração: o Brooklyn Nets o reverenciou no Barclays Center com um quadro com sua camisa personalizada, de número 14.

Oscar foi draftado pelos Nets – que então se chamava New Jersey – em 1984, mas trocou a NBA pela Seleção Brasileira. Naquela época, quem atuasse no basquete profissional norte-americano não podia defender a Seleção.

Em mais de uma oportunidade, em entrevistas, Oscar revelou sua mágoa com Londrina, alegando ter sido aqui o local onde foi mais maltratado pelo público. E é verdade: as arquibancadas não perdoavam. A cada ponto executado – e ele fazia, brincando, mais de 40 por jogo – a torcida explodia em vaias e, quando ele atazanava a arbitragem, e fazia isso muitas vezes e quase sempre com bons resultados para si, a galera entoava o “Oscar, viado”.

Da nossa parte, Mão Santa, saiba que as vaias sempre foram diretamente proporcional ao reconhecimento que todos ali tinham de seu potencial e de todo o serviço prestado ao nosso basquete. Estávamos apenas defendendo a nossa equipe – e, para isso, precisávamos fazer algo que o desequilibrasse. Às vezes conseguíamos, muito embora quase sempre seu arremesso, mesmo debaixo de vaias, terminava com um cesta de três pontos.

E vamos falar a real: na tentativa de sair vitorioso de quadro, ou seja, no reverso da medalha, você também era chato pra dedéu. Qualquer coisinha era motivo para atacar os árbitros aos berros, tentando levar vantagem para sua equipe, que, aliás, você montava para jogar para você. Apenas fazíamos a nossa parte e, nisso, havemos de considerar que, para contrapor a um talento magistral como o seu, só mesmo o ginásio inteiro gritando – e mesmo assim, na maioria das vezes, de nada adiantava.

8 COMENTÁRIOS

  1. Oscar é monstro, ele foi tietado aqui em Londrina também até ganhar no grito, pelo Makenzie, um jogo pelos playoffs de 99, salvo engano. Pra quam não se lembra ele gritou e ganhou uma bola há 0,7 segundos do fim, perdendo o jogo por 2 pontos. Batata, o mão santa converteu de 3 forçando mais um jogo onde fomos eliminados. A torcida não perdoou e a partir daí fez do moringao um Caldeirão e o Oscar tbm fora mal educado às vezes.
    Mas uma coisa não exclui a outra, repito, ele é monstro.

    • Putz, Garcia, escrevi esse texto, confesso, sem lembrar desse episódio, que por si só já afasta qualquer possibilidade de remorso. Foi o mais próximo que o Londrina chegou de conseguir avançar no playoff, e fomos roubados descaradamente.

  2. Vibrei feito louco com o Pan de Indianápolis – ele também estava no 3º do Mundial (acho) nas Filipinas, cesta de Carioquinha (acho) no segundo final? Vaiei da mesma forma, muitas vezes esquecendo que estava no “Moringão” a trabalho. Se você puxar pela memória, há de se recordar do episódio que selou o “ódio” da torcida pé vermelho pelo “Mão Santa”. Foi quando ele voltou ao Brasil pra jogar no Corinthians-Amway e ganhou no grito de Londrina, se não me falha a mais que falível memória, em Sampa. Lembra daqueles pentelhonésimos de segundos finais? Não tenho remorsos. Ele recebeu o que merecia, pois o fato de ter sido um dos maiores cestobolistas de todos os tempos, não o autorizava a apitar o jogo.

  3. era um mala. Que tive a oportunidade de ver ao vivo no Moringão. Sem dúvida, um dos maiores da história do basquete. Mas era um mala em quadra.
    Torci muito pela recuperação dele quando do problema no cérebro.

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