Você pode não saber mas o Brasil é campeão mundial de Teqball. E o esporte é show

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Por Valtemir Soares Jr (Mineiro)

Responda rapidinho: quando o Brasil foi campeão mundial com a bola no pé pela última vez? Os mais apressadinhos dirão que foi o pentacampeonato na Copa de 2002. Os detalhistas lembrarão dos canecos levantados por diferentes categorias de base em anos recentes. Mas só os realmente ligados nos chamados esportes alternativos saberão que o país terminou 2019 trazendo o título de campeão mundial no Teqball – categoria dupla mista.  O feito se deu pelos atletas Natália Guitler e Marcos Vieira no último dia 8 de dezembro, em Budapeste (Hungria), quando bateram a por 2 sets a 1 a dupla prata da casa e favoritíssima Csaba Bányik e Zsanett Janicsek.

A conquista por si só já valeria uma comemoração diante do poderio europeu na modalidade. Mas mais ainda por ser a primeira vez que no Campeonato Mundial de Teqball, realizado desde 2017, é inserida a categoria dupla mista, e por último e o mais importante, pela evolução da dupla brasileira no esporte. Em 2018, na edição francesa do torneio, Natália e Marquinho – como é conhecido – conseguiram, participando pela primeira vez do torneio, a quarta colocação ao perder na disputa da medalha de bronze para a dupla da Hungria formada por dois atletas masculinos e campeões mundiais no ano anterior – até então a disputa de dupla não diferenciava gênero na formação das equipes.

Mas “pera lá”… Mesmo com toda essa façanha,  por que, afinal, deveríamos estar eufóricos com esse título? A resposta é simples: porque, apesar de ter sido criado recentemente, é o esporte sensação do momento e cada vez mais atrai praticantes mundo afora. Seu lado lúdico, competitivo e principalmente técnico – daí o nome da modalidade –  vem encantando principalmente os boleiros profissionais, que nas concentrações antes dos jogos de futebol já são vistos com frequência praticando o esporte. Não foi à toa que nas partidas realizadas agora em dezembro, em Budapeste, estavam na plateia figurões do futebol como Ronaldinho Gaúcho, Carles Puyol, Nuno Gomes e Simão Pedro – inclusive disputaram uma partida demonstrativa como parte da programação do Campeonato Mundial.

Só para se ter uma ideia da ambição dos adeptos, a Federação Internacional de Tequball já vem trabalhando junto ao Comitê Olímpico Internacional para que a modalidade esteja no programa dos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles (USA). E as chances são grandes, pois o COI tem sido bastante flexível na introdução de esportes “diferentões”, como veremos em breve nos Jogos Olímpicos deste ano no Japão, com as competições de surf, skate e escalada. E para a edição de Paris, em 2024, já foi aceita a inusitada modalidade esportiva do break dance – sim, aquela dança de rua inventada por porto-riquenhos nas ruas dos Estados Unidos como protesto terá disputas olímpicas.

Em termos de difusão por aqui, com certeza, o título conquistado pelos brazucas poderá de ser de grande ajuda ­à medida que o esporte ganha visibilidade. Para a campeã Natália, que é conhecida como “Rainha da Praia” no futevôlei brasileiro, o resultado obtido na Hungria deve servir também principalmente de incentivo para que o público feminino conheça a modalidade e venha praticá-la. Durante a entrevista após a vitória, ela enfatizou que gostaria que seu exemplo servisse para estimular outras mulheres a acreditarem em seu potencial esportivo. Tal ênfase tem um porquê: é que na edição de 2018,  a própria atleta relatou ter sido vítima de desconfiança entre os atletas e público europeus por ser mulher e uma estreante na competição.

O TEQBALL

Outro ponto significativo dessa vitória é que o Brasil se insere de vez como protagonista de mais um esporte que envolve a bola nos pés, como já ocorreu anteriormente no futsal, no futebol de areia, no society e no futevôlei. Isso porque o teqball é uma mistura justamente de modalidades futebolísticas com o tênis de mesa… É isso mesmo! Apesar de parecer bizarro, imagine alguém dando chutes longos, embaixadinhas de peito e coxa, cabeceios potentes e velozes voleios tendo como alvo uma estrutura curvilínea de aço dividida ao meio por uma barra de acrílico, como se fosse a redinha do tênis de mesa. Pronto, esse é o teqball.

A modalidade surgiu de uma brincadeira entre o ex-jogador de futebol profissional Gabor Borsanyi e o cientista da computação Viktor Huszár. Cansados de ter que pegar a bola de futebol em cima da mesa de ping-pongue enquanto disputavam partidas de futmesa, Huszár sempre lembra que a ideia veio porque “o que mais irritava era ver a pelota quicar e ‘morrer’ sobre a superfície, o que dificultava o contra-ataque”. Foi daí que ele, usando seus conhecimentos de informática, modelou virtualmente um protótipo que ajudasse a fazer com que a bola subisse ao bater no tampo. O nome, Teqball, foi escolhido pela dupla húngara em homenagem aos jogadores mais habilidosos, os “técnicos” (ou “teqs”, na corruptela encurtada, em húngaro).

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns Waltemir muito legal a matéria. Legal conhecer sobre outras modalidades e saber que tem sempre um esporte que pode te interessar. O
    importante é praticar.

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