Um Pio na História do Futebol do Jornalismo da UEL

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Seria o primeiro semestre para os aprovados no vestibular de inverno da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de 1991. A alegria era imensa em virtude da conquista e, consequentemente, dos prováveis amigos e namoricos. Estávamos em busca de encontros e a participação era obrigatória nas festas, na biblioteca, nos espaços esportivos ou onde a moçada estivesse concentrada.

Ainda era a primeira semana de aula quando um calouro do curso de jornalismo chamado Pio apareceu nos corredores do CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes). O garoto era baixinho com panca de Telê Santana. Logo nas primeiras palavras, Pio convocou os interessados para formar o time masculino de futebol de campo do curso.

A equipe disputaria o torneio intercursos da UEL. Pio já tinha feito a inscrição da equipe no campeonato e já sabíamos quem seria o temível adversário: a Agronomia. O jogo seria na próxima segunda-feira, às 14h30, segundo informações do nosso comandante. A escalação seria por ordem de chegada, mas todo mundo jogaria um pouquinho.

Na semana seguinte, fui à universidade de manhã, levando meus apetrechos e a esperança de jogar como titular. Após às aulas, encontrei o veterano de turma Marcelo Teixeira, que também estava preparado para a disputa.

O relógio ainda marcava 13h30 e fomos tranquilos a um dos campos da UEL. Quando chegamos, para nossa surpresa, a partida já tinha começado. A informação do horário estava errada.

O time do jornalismo estava composto com apenas oito jogadores (alguns descalços ou apenas vestindo um velho par de tênis) e, com menos de meia-hora, o placar já apontava quatro a zero para nossos adversários. Vestimos o uniforme na correria e entramos em campo para reforçar o time. Logo, o primeiro tempo acabou com seis a zero no placar.

No intervalo, chegou mais um colega calçando um chinelo de couro daqueles com uma argolinha apenas no dedão. Todavia, o importante era que o time estava completo. E, com incertezas, o jogo seria outro.

Reunimos a galera e combinamos que formaríamos uma retranca, com apenas o Teixeira no meio-campo e o Pio no ataque. Acho que a ideia foi dos meus parças Derri Francis Borges e Caio Júlio Cesaro.

Não é que deu certo: tomamos apenas mais dois gols no segundo tempo. Porém, o mais importante estava guardado para o final da partida. No último lance, conseguimos um escanteio, que eu mesmo cobrei. No bate-rebate, Pio chutou para o fundo das redes.

Todo mundo saiu comemorando, com o Fábio Silveira (hoje jornalista e professor em Londrina) gritando: “Entramos para a história…Entramos para a história…” Segundo ele, aquele seria o primeiro gol do jornalismo em todas as edições do torneio.

Os caras da Agronomia não entenderam o motivo de tanta felicidade e nós também ficamos desconfiados daquela história do Fábio, mas valeu a festa. Além disso, foi o assunto da semana no CECA e nada melhor que uma boa pauta para puxar assunto com os colegas e novas paqueras.

Acho que meus colegas citados não guardam recordações desse episódio. Já o Pio abandonou o curso, mas jamais esquecerei do gol que marcou a nossa história no curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina.

Luciano Maluly é professor de Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP) e formado em Jornalismo pela UEL.

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