Torcer para o time do pai é a salvação!

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Por Edson Ferracini

Era um domingo, clube lotado, e meu olhar saudoso passava pelas crianças correndo e jogando bola, vestidas com mantos sagrados de times de futebol.

Bateu curiosidade e resolvi contar. Eram 18 os menininhos e menininhas, e 14 deles usavam camisas de times europeus.

Cheguei à conclusão que, ao perder sua essência na arte de jogar bola, o futebol brasileiro sobrevive graças à paixão de gerações já envelhecidas, como a minha, pelos seus times de coração. Os brasileirinhos pouco se encantam pela bola jogada no país pentacampeão do mundo.

Hoje li uma frase divertida, de brincadeira, que, se absorvida pelos filhos, talvez seja uma espécie de resgate para o nosso esporte bretão.

 “Não torcer para o time do seu próprio pai é gesto de uma profunda e manifesta ingratidão!”

Lembrei do meu “batismo” no futebol. Foi no longínquo, quase imaginário ano de 1961 – portanto, há 60 anos.

Na lembrança, vaga como uma quimera, estava um molequinho ao lado do seu “velho pai parmerense”, ouvindo na magia do rádio a final da Libertadores: Palmeiras x Peñarol.

Desde então meu amor pelas cores alvi e esmeraldina é absoluto, eterno. Não consegui transferir esse apego para o meu filho. Seu apreço não é pela Cruz de Savoia do Palestra Itália, mas pela Cruz de Malta do Gigante da Colina do heroico português.

E o “culpado” foi meu saudoso sogro, um avô maravilhoso, mas que tinha um grande defeito: o cara era corintiano!

Quando perguntavam para o meu filho, mesmo eu lhe presenteando com o manto verde e branco, para qual time ele torcia, a resposta era taxativa:

– Pro Palmeiras e pro Corinthians.

E nada tirava isso da cabeça daquele molequinho de 8 anos.

Num dia de 1988, passeando com a família no Rio de Janeiro, resolvi levá-lo ao Maracanã.

– Filho, você vai conhecer o maior estádio do mundo!

O jogo era Vasco x Atlético Mineiro e a torcida vascaína, em grande número, encantou aquele garotinho com seus cantos e bandeiras nas arquibancadas. Veio então o abrandamento do peso em seu coraçãozinho infantil:

– Pai, eu sou Vasco!

Dito foi e assim ficou.

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