Torcedor do LEC, vamos falar sobre dinheiro

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Por Wilhan Santin

A derrota do Londrina para o Athletico provoca reflexões necessárias. Com seu terceiro time, formado por garotos, média de idade de 20 anos, o Furacão consegue liderar o Campeonato Paranaense e derrotar o que o Tubarão tem de melhor.

Alguém dirá que há uma diferença técnica entre as duas equipes. Esse não é o grande problema. O X da questão está na diferença de grana, de receitas financeiras.

Na década de 1990, o Athletico começou uma estruturação olhando para o futuro. Investiu em seu estádio, tornando-o de primeiro mundo, injetou dinheiro na divulgação da marca e na formação de jovens atletas. Só a parceria com o PSTC rendeu Kleberson, Jadson, Dagoberto, Fernandinho e Alan Bahia.

O trabalho de gestão começou a dar resultados já no início do século 21, com o título brasileiro de 2001 e o vice da Libertadores de 2005. Em 2018, veio o título da Copa Sul-Americana. Em 2019, a Copa do Brasil.

Quanto mais ganha títulos, mais o clube ganha dinheiro. E quanto mais se capitaliza, mais pode investir em bons times para faturar outros títulos. E o abismo entre o Furacão e os outros clubes do Paraná, especialmente o Londrina, que é o nosso foco, cresce.

Atualmente, o futebol exige gestão profissional e custa caro. Qualquer jogador mais ou menos quer salário na casa dos R$ 100 mil. Até os anos 1990, um empresário como o lendário Serafim Meneghel, da pequena Bandeirantes, conseguia manter sozinho um time de futebol, pagando do próprio bolso, a tudo e a todos, com o dinheiro da usina de álcool e açúcar que presidia. Agora não dá mais.

Só na Copa do Brasil, somando as premiações de todas as fases em que foi avançando, o Athletico faturou R$ 64,3 milhões. Some-se a isso todas as outras receitas milionários do time curitibano e o montante será de respeito.

Os balanços financeiros do Londrina não são divulgados. Mas, pelas minhas contas, nos último ano, se somarmos tudo o que a parceira (clube mais SM) faturou (cotas de TV, negociações de atletas, patrocínios, rendas de jogos) não chega a R$ 17 milhões.

Trocando em miúdos, o Londrina Esporte Clube precisa arranjar maneiras de faturar mais, em meio a uma realidade nebulosa. Sergio Malucelli, o parceiro da vez, jura que vai tirar o time de campo depois do Paranaense. Na Série C do campeonato nacional não haverá cotas de televisão.

Com o que tem em caixa e mais um dinheiro que vai receber do próprio Malucelli, em torno de R$ 1,5 milhão de atrasados e mais a multa por romper o contrato oito meses antes do fim, o Londrina consegue fechar 2020 sem a SM, colocando um time em campo na competição nacional. E depois?

O atual presidente do clube, Felipe Prochet, procura parceiros/investidores para assumir o lugar que Malucelli deixará. Já foi até à Inglaterra. Para o curto prazo, a salvação realmente está em uma parceria, justamente porque o Londrina praticamente não tem receitas.

Porém, para médio prazo, é preciso pensar em maneiras de capitalizar o LEC, para que ande com as próprias pernas, fortaleça-se como instituição e não fique a depender de terceiros. A parceria é interessante por deixar todo o risco do negócio com o investidor, porém, havendo lucros, a maior parte dele também fica com o investidor.

No momento, há muita gente para criticar. Contudo é preciso enaltecer o que foi feito nos últimos dez anos, com a ajuda incrível da Justiça do Trabalho, que interveio na hora certa. O Tubarão estava  com os dentes podres, doente de todas as infecções, já não mordia ninguém. Devorar, então… Estava quase morto.

Com a parceria com a SM e as administrações de Cláudio Canuto e do próprio Prochet, dívidas trabalhistas foram pagas e uma estrutura administrativa realinhada. Não é pouco.

Olhando para frente, seria importante, seja quem for o parceiro, o Londrina voltar a gerir as categorias de base ou, pelo menos, ter maior participação nos direitos econômicos dos jogadores que forem revelados, sendo protagonista na decisão de como e quando negociá-los. Os atletas são grande parte do patrimônio de um clube de futebol. Sobretudo de um clube interiorano.

Segurar por mais um ano alguns atletas promissores pode ser a diferença para conquistas dentro de campo. Vide a campanha na Série B de 2019. Lembrando: conquistas geram receitas.

Outros pontos: desenvolver projetos para atrair patrocinadores; aumentar a presença de torcedores nos jogos; faturar mais com produtos licenciados.

Mantendo os pés no chão e executando um bom plano de gestão, creio que é possível auferir mais receitas, investindo em atletas e chegando a títulos ou à Série B novamente.

Repito, para o curto prazo, arranjar um parceiro parece ser a única saída. Na sequência, é preciso planejamento para andar sozinho. Talvez alguém me responda com o modelo que se concretizou com o Bragantino. Não gosto dele. O time não é mais de Bragança Paulista. O Bragantino agora é da Red Bull.

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