Tá tudo muito louco, oba!

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Por Rogério Fischer

Como se faz um time campeão?

Com um bom elenco? Sim. Difícil imaginar que com um bando de perebas (alô, Curíntia!) vá se ganhar alguma coisa.

Com grandes jogadores? Sim. Além de um bom elenco, o time precisa de alguns jogadores diferenciados, que formem uma espinha dorsal que, por sua vez, dê estabilidade e ritmo de jogo. São necessários dois ou três jogadores que não arreguem, que resolvam a parada na hora agá.

Com bastante dinheiro? Ajuda. Não garante, mas ajuda bastante, se o cartola puder fazer boas contratações, pagar bons salários, proporcionar boa estrutura, bancar bons bichos por vitória.

Com um bom técnico? Yes! Um bom treinador, que seja um bom gestor de grupo, tem o elenco na mão, aplica posicionamento tático correto, define escalações adequadas, altera o esquema quando necessário.

Com bons dirigentes? Evidente. Um clube bem administrado executa planejamentos e, com planejamento, tudo fica mais fácil.

Com torcida? Também! Uma torcida numerosa e fiel bota pressão no adversário, gera boas rendas e, com algum jeitinho, até elimina preguiça de alguns atletas.

O problema é que o cenário do futebol, no Brasil, está de ponta cabeça por conta da pandemia. Tá tudo muito louco, bicho. Torcida no estádio nenhum time tem. Sem bilheteria, a receita cai, dificultando a formação de bons elencos. Muitos estão se valendo das crias da base. Quem forma mais, chora menos.

Da mesma maneira, é complicado cobrar dos treinadores se, por causa do coronga, de uma hora para outra ele se vê sem três, sete, dez, 16 jogadores – todos infectados – e, daí, é um deus-nos-acuda.

Não por acaso, o time que está disparado na liderança do Campeonato Brasileiro – que premia a regularidade – é o que aproveitou bem os jovens da casa e, até agora, passou praticamente imune aos surtos que desesperaram quase todos os outros times.

Evidência de que, caso continue exercitando bem os protocolos, ninguém tira esse título do São Paulo – e os são-paulinos poderão, finalmente, gritar “é campeão” pelo WhatsApp.

O perigo maior do coronga, porém, é nas copas. Agora que Libertadores e Copa do Brasil entraram na fase mais aguda, qualquer descuido pode ser fatal. De repente, metade do time, ou mais, pode ficar proibida de entrar em campo e, nessa, um resultado desastroso coloca tudo a perder.

Semana que vem, a Libertadores define três dos quatro semifinalistas. Grêmio e Santos empataram por um gol em Porto Alegre e, na quarta, devem fazer outro jogo equilibradíssimo – se o coronga deixar.

Libertad x Palmeiras também terminou 1 a 1 em Assunção e, na terça, vai ser outro pega pra capar em São Paulo – se o coronga permitir.

O River abriu vantagem de dois gols contra o Nacional em Buenos Aires e, na quinta, vai suar sangue para brecar a reação do rival em Montevidéu – se o coronga não resolver atrapalhar.

Ainda na quinta, Boca e Racing iniciam o quarto confronto, que, caso o coronga permita, igualmente promete equilíbrio.

Na Copa do Brasil, a situação é a mesma. Na última semana do ano, acontecem as semifinais. No dia 23, jogam Grêmio x São Paulo e Palmeiras x América-MG. No dia 30, os jogos da volta.

Grêmio e São Paulo, em tese, devem fazer um duelo de sair faísca. O Grêmio, pelo bom time e pelo histórico em copas. O São Paulo, pela liderança que ostenta no Brasileirão e pela luta por um título que ainda não tem.

Só o coronga pode desequilibrar para um lado ou outro.

Nas bolsas de apostas da Vila Recreio, o Palmeiras é favorito. Mas terá pela frente, além do risco do coronga, um time cujo técnico, Lisca, tem Doido no sobrenome.

O coronga é o verdadeiro protagonista do futebol de hoje. De modo que tudo pode acontecer. A final da Libertadores dia 30 de janeiro no Maracanã, em partida única, tanto pode reunir Boca x River, quanto Palmeiras x Santos, quanto Racing x Libertad.

Na Copa do Brasil, idem.

Periga dos principais títulos dessa temporada serem decididos pelo álcool em gel.

Porque, no futebol, com máscara nunca se ganha nada.

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