Seleção de 94 não era Futebol Força

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Tafarel, Jorginho, Aldair, Mauro Silva, Márcio Santos e Branco. Agachados Mazinho, Romário, Dunga, Bebeto e Zinho

Por Rogério Fischer

Bom trabalho, o do professor e colunista aqui do VEC Luciano Maluly.

Creio, porém, ter havido equívocos na relação entre futebol-arte e futebol-força. Creio não caber essa distinção entre as seleções de 82/86 e a de 94.

O time de Parreira não praticava exatamente futebol-força. Priorizava a marcação, não com força excessiva, e sim por zona. Prova disso é que tínhamos dois zagueiros que não davam botinadas, muito pelo contrário. Aldair e Márcio Santos jogavam o fino na zaga. Tampouco os laterais Jorginho e Branco eram defensivos. As características mais marcantes deles – e a de Cafu, que jogou a maior parte da decisão – era o apoio ao ataque.

Tínhamos Dunga, que marcava forte, mas longe de ser um ogro como Chicão. Distribuía bem o jogo e chegava perto da área para finalizar. Marcou gols importantes, inclusive. Mauro Silva, o segundo volante, era um perdigueiro, porém jogava limpo. Zinho e Mazinho completavam o meio de campo, com condução de bola e armação.

A função deles era dar combate ao adversário para armar o contra ataque para Romário e Bebeto com apoio dos laterais. É uma tática praticamente igual à quê Telê implantou no São Paulo. Dinho era um volante muito mais pegador do que Dunga. Ao retomar a posse de bola, o meio servia Muller e Palhinha, abertos como Romário e Bebeto.

Se a seleção de 82 tinha Cerezo e Falcão, é porque Telê podia simplesmente convocá-los, o que não seria possível num clube. A maior façanha de Telê com o futebol ofensivo pode ter se dado no Palmeiras de 78/79, quando ele foi vice campeão brasileiro com um time de jovens e outros desconhecidos que substituíram os craques da Segunda Academia, que saíram ou se aposentaram, como Leivinha, Dudu, da Guia.

Ser vice brasileiro com Pires de volante, Zé Mário na meia, Carlos Alberto Borges, Carlos Alberto Seixas e Baroninho no ataque não é para qualquer um. A vitória de 4 a 1 sobre o Flamengo de Zico no Maracanã foi um show de tática.

Foi essa campanha que catapultou Telê para a copa de 82. Do mesmo modo, o dilema da série English Game não se dá entre o futebol-força e o futebol-arte. Se dá entre o amadorismo e o profissionalismo. As cenas de violência que a série traz não são frutos da opção deliberada pela força contra o adversário mais hábil, e sim pela raiva/vingança contra jogadores que haviam virado a casaca.

2 COMENTÁRIOS

  1. […] O time de Parreira não praticava exatamente futebol-força. Priorizava a marcação, não com força excessiva, e sim por zona. Prova disso é que tínhamos dois zagueiros que não davam botinadas, muito pelo contrário. Aldair e Márcio Santos jogavam o fino na zaga. Tampouco os laterais Jorginho e Branco eram defensivos. As características mais marcantes deles – e a de Cafu, que jogou a maior parte da decisão – era o apoio ao ataque. (leia mais) […]

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