O último semestre do resto de nossas vidas

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por Luciano Maluly

Estava pensando sobre o tema da minha crônica de março para o VOCÊ ESPORTE CLUBE quando, por acaso, o nosso querido Fabio Alves Silveira posta uma mensagem no Facebook sobre o depósito de sua tese de doutorado na FAAC/UNESP, em Bauru (SP). O texto revelava a alegria pelo término dessa pesquisa de pós-graduação, assim como a lembrança da defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em 1995. Na hora, recordei da minha monografia e, em especial, daquele que foi o semestre mais importante de nossas vidas.

O início daquele ano marcou a despedida do meu primeiro trabalho como jornalista esportivo no antigo Jornal de Londrina (JL); a orientação de Sonia Weill; os encontros com o mestre Telê Santana e com jornalistas famosos na época; a confecção e a defesa do meu TCC e o término do curso de graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo.

Deixei os amores, a família, as farras e até o meu emprego para trás, porque meu objetivo era fazer um lindo trabalho sobre jornalismo esportivo. Sonia topou a parada e foi coordenando a minha difícil tarefa, que resultou no trabalho Relação arte e força no futebol – um conflito à brasileira na visão da crônica esportiva.

Por meio de recortes de notícias e artigos publicados em jornais impressos, revelei os contrastes do debate esportivo da época. De um lado, estavam os defensores do futebol-arte (simbolizados pelo treinador do São Paulo Futebol Clube, Telê Santana da Silva, bicampeão mundial interclubes, em 1992 e 1993, no Japão) e, de outro, os adeptos do futebol-força (representados pelo treinador da Seleção Brasileira Masculina, de Carlos Alberto Parreira, tetracampeão mundial nos EUA, em 1994).

Enquanto os primeiros defendiam os dribles, os gols, enfim, o espetáculo; os demais objetivavam apenas a vitória. O problema era que, apesar da discussão, uma “filosofia” não excluía a outra.

Fui muito bem nesse processo e recebi uma carta revelando que o meu TCC contou com o maior público durante as defesas daquele ano (37 pessoas). Mas isso tinha uma razão: além de convidar os amigos e os familiares, espalhei cartazes por toda UEL, especialmente no Centro de Educação Física e Esporte (CEFE).

Durante a pesquisa, mergulhei no arquivo da Biblioteca da UEL, além de viajar à capital paulista para entrevistar os cronistas Alberto Helena Júnior (Folha de S. Paulo) e Roberto Benevides (O Estado de S. Paulo). O ponto marcante foi o encontro com o técnico Telê Santana, no Centro de Treinamentos do tricolor paulista, na Barra Funda.

Esta monografia concretizou o antigo sonho da conquista do diploma de jornalista. Foi o início da minha trajetória como pesquisador, assim como da minha luta em defesa da cultura brasileira, especialmente do futebol-arte.

PS: O primeiro ano do resto de nossas vidas (St. Elmo’s Fire, EUA, 1985, Joel Schumacher)

Luciano Victor Barros Maluly é jornalista formado pela UEL e professor de Jornalismo Esportivo na Universidade de São Paulo

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