O sonho de ser professor de Educação Física

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Por Luciano Maluly

Esses dias de reclusão modificaram a nossa rotina do corpo e da alma. E foi assim que comecei a fazer exercícios diariamente, justamente para não perder a (com) postura. No início, repetia algumas práticas que foram passadas pelos instrutores da Academia Corpus 2, que frequento na Rua Alameda Barros, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo.

Até que o planejamento estava legal, mas a rotina ficou cansativa e, por isso, procurei por novos métodos.  Apesar de ser uma mídia social considerada como ultrapassada para alguns críticos, busquei ajuda no Facebook, pois, afinal, já tenho 50 anos.

A surpresa foi quando a minha amiga pirajuense e “conterrânea” de Universidade Estadual de Londrina (UEL), Patricia Vieira Lima, formada em Ciência do Esporte, postou alguns vídeos produzidos por professores de Educação Física e também por profissionais de saúde e do esporte da Estância Turística de Piraju, como do competente professor Luciano Carneiro .

. A produção é do Comitê de Combate ao novo Coronavírus (COVID 19) e da Secretaria de Esportes e Lazer desse pequeno município do interior paulista, que conta com cerca de 30 mil habitantes.

Os posts relembraram os tempos das aulas de Educação Física nas escolas com os professores Theudureto Porfirío da Rocha Júnior, mais conhecido como Doretinho (in memoriam) e Dilofredo Chagas, assim como das caminhadas com meu amigo Luís Gustavo Lopes Villas-Boas, que sempre me dá belas dicas de treinos (ou ginástica, como prefiro dizer).

Diante disso, recordei das minhas primeiras idas a Londrina para prestar o vestibular de Educação Física da UEL. Viajei junto com meu amigo William Vitor de Souza, sempre acompanhado do seu paizão, Nabor Ferreira de Souza. Fiz a inscrição, o teste vocacional (obrigatório naquela época) e o vestibular. Passamos no vestibular, eu em Educação Física e ele em Engenharia Civil.

Por ignorância ou despreparo, não fiz a matrícula no curso que mais amava. William e meus familiares tentaram me estimular, mas perdi o barco e, quando acordei, já era tarde demais.

Sofri por três anos tentando passar em algum outro vestibular. Minha família passou por poucas e boas por causa daquela decisão impensada. Somente em 1991 é que fui aprovado no curso em Comunicação social, com habilitação em jornalismo, também na UEL.

Meses atrás, encontrei com meu amigo e também sobrinho do saudoso Doretinho, Haroldo Rocha, em Bauru (SP), que contou sobre sua luta para realizar o sonho de ser árbitro de voleibol e professor de Educação Física. Aquela conversa despertou um sonho adormecido, mas que ainda desejo realizar: “Qualquer dia desses será uma segunda-feira quando sairei de casa para assistir minha primeira aula do Curso de Licenciatura em Educação Física. Talvez eu seja o aluno mais velho e também o mais feliz”.

* Luciano Victor Barros Maluly é professor de Jornalismo na Universidade de São Paulo. E-mail: [email protected]

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