O Goleiro Borboleta

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Por Antonio Santiago

Daniel era um bom goleiro, alto, esbelto e fechava o gol. Pegava tudo quando estava inspirado. Só não era um “arqueiro” completo, porque possuía uma pequena deficiência.

Era míope.

E em consequência disso tinha que jogar de óculos. E naqueles tempos politicamente incorretos e nos campos de várzea, isso era permitido.

Aliás, tudo era permitido.

E numa tarde de domingo, em um jogo, aconteceu um fato que o premiou com o apelido de “Daniel borboleta” para todo o sempre.

Na cobrança do escanteio pelo adversário, ele subiu mais alto que todos e socou a bola para fora da área. Só que no lance os óculos voaram juntos com a pelota, o deixando momentaneamente cego.

Ele ficou tipo piloto voando por instrumentos. Saiu socando tudo a sua frente, amigos, adversários, juiz. Depois de um bate-rebate por alguns minutos, que para ele pareceram horas, alguém chutou a redondinha para fora do campo.

E todos, como manda o espírito esportivo, se juntaram para procurar o precioso acessório do goleiro, que a essa altura já era chamado de borboleta pela torcida ensandecida.

Memórias de um tempo que volta mais.

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