O dia que o “manezinho da ilha” virou Gustavo Kuerten, o cara!

0
58

Por Edson Ferracini

O  grande divisor de águas da carreira do “surfista de Floripa” foi a  terceira rodada de Roland Garros de 1997. Ali, contra o austríaco Thomaz Muster, o “animal do Tirol”, Guga pegou um “tubo” e “surfou” o jogo mais importante da sua vida.

Muster, à época, era o melhor jogador de saibro do mundo, apesar de ser um “malaço”. Usava artimanhas, digamos assim, pouco convencionais para levar vantagens. Mas jogava muito, e na “terra batida” tinha fama de quase imbatível.

Guga entrou para jogar como todo tenista gosta, de franco atirador. Sem qualquer pressão, enfiou a mão na bola pra valer. Distribuiu “tamancadas” pra todo lado.

Nas horas difíceis, sacou muito. Usou a esquerda cruzada para desequilibrar e a paralela para empurrar o oponente para trás. Aí machucava com ataque de direitas vencedoras.

Guga ganhou, também, um monte de pontos com deixadinhas. Em várias delas, o austríaco nem foi atrás. E, pior, também começou a dar curtinhas, e errar.

O jogo foi épico, decidido no quinto set, sendo o quarto o mais tenso do jogo. Depois de um game muito longo, Guga teve várias chances de quebrar o saque de Muster e não conseguiu. Nosso surfista pirou.

Depois de perder cinco games seguidos, numa reação inesquecível, o “manezinho” ganhou seis dos sete games seguintes e foi sacar para fechar o jogo no 5 x 4 do quinto set.

Ganhou os três primeiros pontos e foi para o ponto final do jogo mais importante de sua carreira.  E o ponto foi épico.

Guga subiu à rede e fez um voleio curto. Muster correu pra frente desesperado, chegou na “bacia das almas” e só conseguiu jogar a bola para o outro lado.

Tomou um lob – aquela bola que passa por cima da cabeça do adversário.

No desespero, Muster correu pra trás e ainda chegou na bola, mas… jogou pra fora.

Resultado final: 6-7,6-1,6-2,1-6 e 6-4.

E assim a história se fez.

Gustavo Kuerten era apenas o 66º colocado no ranking e ainda não havia disputado nenhuma final de ATP.

A improvável e épica vitória sobre Muster o catapultou para as rodadas seguintes, com direito à vitória sobre o então campeão de Roland Garros, o russo Kafelnikov, nas quartas, e uma acachapante vitória sobre o espanhol Sergi Brugera na grande final, três sets a zero, em 1h50 de partida.

Foi o primeiro dos três títulos de Guga em RG. E o título que mudou a história do tênis brasileiro.

Relembre aqui (https://tenisbrasil.uol.com.br/noticias/77223/Primeiro-titulo-de-Guga-em-Paris-completa-23-anos/#:~:text=Paris%20(Fran%C3%A7a)%20%2D%20Em%208,improv%C3%A1vel%20no%20Grand%20Slam%20franc%C3%AAs) os jogos épicos de Guga em RG-97. Há 23 anos, direto do túnel do tempo.

Deixe uma resposta