O Brasil Acorda Campeão do Mundo

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LIMA, PERU – Brasil Campeã Panamericano de Basquete (Photo by Ezra Shaw/Getty Images)

Por Luciano Maluly

Quando estava no terceiro ano do curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), resolvi passar um final de semana com meus pais em Piraju, no interior paulista.

Era madrugada  do dia 11 de junho de 1994. Tempos sem internet, aflições e notícias atrasadas. Viajei querendo saber o resultado da semifinal do Mundial Feminino de Basquete da Austrália entre Brasil e Estados Unidos da América. Cheguei tão  cansado que dormi, deixando a resposta para a manhã seguinte.

Para dizer a verdade,  minha intenção era descobrir o horário da disputa do terceiro lugar,  que seria transmitida  pela TV Bandeirantes durante a madrugada de sábado para domingo. Afinal, o melhor resultado daquela geração era o título dos Jogos Panamericanos de Havana, em 1991, naquela partida memorável em que Fidel brindou, ou melhor, brincou com Paula e Hortência. 

Burrice minha, porque o Brasil venceu os EUA na semi, por 110 a 107, e disputaria o título contra a China, da gigante Zheng Haixia. O Brasil ganhou o título de 96 a 87, vitória eternizada pela frase memorável de Luciano do Valle: ” O Brasil acorda Campeão do Mundo”.

No último sábado, o time nacional derrotou  os EUA novamente, só que agora na final dos Jogos Panamericanos de Lima, no Peru, por 79 a 73, conquistando a medalha de ouro depois de 21 anos.

Eu não sei qual o motivo, mas sempre que a seleção brasileira de basquete feminino entra em quadra, o nome do treinador da equipa campeã mundial em 1994 e medalha de prata olímpica em 1996, em Atlanta, vem à minha memória.

Sem desmercer os triunfos do basquete masculino, essa medalha de prata olímpica é a maior conquista da modalidade,  assim como esse mundial, pois as equipes adversárias jogaram com suas principais equipes, particularmente os EUA.

E é por isso que toda vez lembro de Miguel Ângelo da Luz, um técnico que calou os críticos e levou a rainha Hortência, Magic Paula, Janeth, Alexandra, Leila e companhia ao lugar que mereciam.

O atual treinador é José Neto, que sempre treinou e foi campeão em times masculinos, em especial no Flamengo. O estilo de jogo implantando e até mesmo o biotipo dele lembram o de Miguel Ângelo da Luz.

Chorei muito durante essas madrugadas, pois recordo de uma história (ainda a ser confirmada) sobre Miguel que, na noite anterior à semifinal, assistiu aos jogos das  norte-americanas na competição, justamente para descobrir uma fórmula de derrotá-las.

Ainda quero escrever a biografia desse treinador que sempre trouxe inspiração às minhas madrugadas sem sono (não durmo mais sem saber um resultado), como esta em que escrevo meu relato de amante do basquete e do Brasil para o VOCÊ NO ESPORTE.

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