Mais uma vez, Corinthians vence com ajuda do juiz

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Por Rogério Fischer

No primeiro “pega” do Centenário do Dérbi, o Corinthians levou a melhor sobre o Palmeiras – 1 a 0, gol de Jô aos 42 minutos do segundo tempo, em Itaquera.

A diretoria de ambos os clubes trabalharam bem o marketing do “maior clássico do mundo”.

E o que se viu em campo fez juz à propaganda.

E, sobretudo, à história desse confronto, feito de suor e lágrimas.

No gramado do Itaquerão, nesta quarta, 22 de fevereiro, pela primeira fase do Paulistão, a alma do clássico esteve presente: um jogo franco, acirrado, nervoso.

Dois pit bulls, um de cada lado, Gabriel e Felipe Melo, a colocar lenha na fogueira. Devidamente amarelados por Thiago Duarte Peixoto.

Atacantes tentando entrar na área adversária como se conquista jardas no futebol americano: no peito, na raça, na trombada. Poucas chances de gol. Dois chutes riscam o travessão – um daqui, outro de lá.

Até que entra em cena a arbitragem.

E, num erro grosseiro, patético, o juju manda pro chuveiro um jogador que nem estava na jogada faltosa.

Gabriel, o pit Bull prejudicado, deixa o gramado chutando tudo o que vê pela frente.

Indignação no estádio de torcida única.

O segundo tempo seria dez contra onze.

Onze do melhor elenco entre os dois – porém, visitante.

Dez do time tecnicamente mais modesto em campo – todavia, em casa.

Ao expulsar Gabriel, o juiz ajudou o Corinthians – daí o título desta matéria, elaborado de propósito para enfurecer aquele bando de pit bulls de casa de madame, aqueles tipinhos que infestam as redes sociais e vociferam suas idiotices diante do título, sem ao menos ler a matéria. Aqueles que adoram a aparência e estão nem aí pra essência.

Vai ser interessante ver os comentários quando o texto for para o Facebook.

A injustiça da expulsão de Gabriel provocou a indignação que, somadas, deram ao Corinthians a receita de que precisava para ganhar o jogo.

O time fechou-se hermeticamente na defesa e suportou um bate-estaca de ataque contra defesa durante mais de meia hora.

O erro do árbitro fez o Corinthians vestir a alma do clássico – a mesma que o Palmeiras esqueceu no vestiário.

Não, o time verde não jogou de salto alto, blasé, como acham alguns. Não houve qualquer movimento que justificasse tal avaliação.

Um drible desnecessário, uma chacota – nada.

O Palmeiras tocou a bola de lado a lado, buscando uma infiltração fatal. O Corinthians é que não deixou. Alinhou-se todo à frente da área e blindou Cássio.

Quando o Palmeiras teve uma rara chance de marcar, errou – e, com isso, deu a senha para o imponderável, um contra-ataque mal ajambrado que terminou em gol.

A expulsão ajudou o Corinthians, que desempenhou um dos fundamentos do futebol – a defesa – com maestria.

O erro uniu verdadeiramente a equipe, algo necessário para qualquer jogo de futebol, em Itaquera, no Santiago Barnabeu, no Ubirajara Medeiros ou no mais tosco campo de fazenda.

Criou com o até então desconfiado torcedor corintiano uma empatia que será de muita utilidade para o decorrer da temporada.

E deu ao Palmeiras uma lição: se quiser ganhar o bicampeonato brasileiro e a Libertadores, terá de sair do vestiário, a cada partida, com a alma na camisa.

Sem ela, não se chupa nem um picolé.

 

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