Londrina 1992

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Parecia que nada mudaria naquele ano. O Brasil continuava o mesmo e a euforia dos primeiros semestres do curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Estadual de Londrina, já tinha passado.

Descobrimos que, para aprender e sermos aprovados, seria necessário enfiar a cara nos livros, especialmente nas temidas aulas dos mestres Eduardo Judas Barros e Sonia Weill.

A pequena Londres continuava linda e crescendo. De repente, um fato mudou a história do Paraná e, consequentemente, a minha trajetória como jornalista.

O Campeonato Paranaense de Futebol Masculino já estava para começar, com os times da capital Curitiba (Atlético (sem h na época), Coritiba e Paraná Clube) como favoritos. Só que o desfecho do torneio seria outro, com o Londrina Esporte Clube (a eterna quarta força do estado) e o surpreendente União Bandeirante Futebol Clube, da cidade de Bandeirantes, disputando o título.

O duelo animou os jornalistas locais que criavam (ou resgatavam) alguns títulos para promover o novo clássico caipira, do café, pé-vermelho, entre outros.

Os três jogos foram disputados no Estádio do Café, porque o Estádio Comendador Luiz Meneguel, em Bandeirantes, não tinha capacidade para 15 mil pessoas, conforme exigia o regulamento.

O primeiro jogo foi morno e acabou empatado com o placar de zero a zero, no dia 6 de dezembro.

Já o segundo jogo prometia. Era um domingo (13 de dezembro) de temperatura gostosa em Londrina. Nosso amigo Neto Cerveira tinha comprado vários ingressos e nos acordou cedo, com o objetivo de iniciarmos os trabalhos. O grupo contava também com meus amigos Ganda e Zé Luiz, além do Alcione, que era funcionário da Padaria Lis, de propriedade da família Cerveira, ali na Rua Quintino Bocaiúva.

Com as barrigas cheias e latinhas de cerveja nas mãos, chegamos cedo e felizes ao estádio. Provocações sem malícia ocorriam entre os poucos torcedores vindos de Bandeirantes (a cem quilômetros de Londrina) e os milhares do Tubarão.

O estádio estava cheio e vibrante, mas ficou mudo quando o União abriu dois a zero no placar – resultado que daria o título ao time de Bandeirantes -, e explodiu de emoção após os gols salvadores (de Tadeu e Márcio Alcântara) que decretaram o empate.

As aulas já tinham terminado e retornei para Piraju (SP), com o objetivo de gozar as férias e dar um pulo no Rio Paranapanema. Por isso, não foi possível estar presente na terceira e decisiva partida que garantiu o título ao Londrina. O jogo acabou um a zero, com um gol inesquecível do zagueiro João Neves.

A cidade permaneceu em festa, com os moradores tendo orgulho de sua pátria alviceleste. Minha utopia de um Brasil perfeito se concretizou naquele período e, assim, descobri que seguiria o caminho do jornalismo esportivo.

Luciano Victor Barros Maluly é jornalista formado pela UEL e professor de jornalismo esportivo na Universidade de São Paulo

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