Coisas da várzea: o ‘Navio Negreiro’ do Jardim Leonor

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Por Antônio Santiago

Sou da época do politicamente incorreto.

Do tempo em que tudo era permitido em nome da amizade e da alegria.

Brincadeiras com cor, gêneros e religiões eram normais.

Se eram corretas, não sei, mas era assim que funcionavam as coisas.

E foi neste tempo que um fato inusitado aconteceu no bairro onde eu morava, o Jardim Leonor.

Racistas que só eles, um grupo de negros criou um time só deles.

Só com afrodescendentes.

O time, que não sei por que cargas d’água se chamava Botafogo, era a sensação da região.

Mas, como toda regra tem exceção, um dia eles aceitaram um branco para engrossar o elenco.

O cara em questão era o Aristeu, meu amigo, irmão, camarada e que segundo a “negrada” era um “branco de alma negra”.

A equipe, também apelidada de “Navio Negreiro”, jogava todos os finais de semana e na sua curta existência de dois anos deve ter perdido duas partidas, se não me engano, e eu vivo me enganando.

Fico imaginando: será que nos dias atuais seria politicamente correto este tipo de coisa?

2 COMENTÁRIOS

  1. Sei de outro “Navio Negreiro”, camarada Santiago. Compartilho outra hora, quando encontrar uma foto que tem a ver com a memória.

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