Choveu no Morumbi!

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Guilherme Lima

No vocabulário radiofônico, “fazer um tubão” é a equipe transmitir um jogo de futebol no rádio narrando não do estádio, mas do estúdio, assistindo a peleja na TV e contando tudo ao ouvinte como se estivesse no palco da partida.

Certa vez, em Londrina, um tubão quase não terminou, fruto da revolta de um ouvinte que flagrou o trabalho.
Idos de 1990/2000. Antiga rádio Tabajara, hoje Globo/CBN (quem se lembra da vinheta “TTAAAAAAAAAABBBAAAAAAA”?). Tarde de domingo. Paulistão na fase quente. São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rádio foi fazer um tubão da peleja. E fez. Mas quase não terminou. 
Para dar “veracidade” ao “tubo”, o narrador e o repórter instalaram os equipamentos de transmissão e a TV na parte externa da emissora, rodeada de prédios, na área central de Londrina. Sem o som “típico de estúdio”, o tubão transcorria bem. Som “ambiente”. Time renomado escalado. Ótima audiência. Na narração, o moço do Distrito de Paiquerê: Izaías “Gianechini, Galvão Bueno, Ivo Holanda, Amado Batista, Mazaroppi, Corujinha” Soares, conhecido como Zazá Maravilha. Um dos narradores que melhor descreve a partida no rádio paranaense. Como repórter, o experiente Francisco de Fátima Néry, grande violeiro, França Néry, com sua voz inconfundível. E na retaguarda, o plantão mais bem informado do rádio do sistema solar. Tem resultados desde a Champions League ao Campeonato Amador de Xambrê, passando por outros esportes, categoria de base e resultados das loterias: José Carlos Antão.
Jogo seguia. Transmissão em alto nível. O pau comendo no rádio. Tudo normal. Até aqui, saiu um gol. Zazá Maravilha gritou. Alto. Muito alto. Tão alto que, um vizinho, que estava ouvindo a Taba (não havia gatonet), e saiu na sacada para comemorar o gol, viu a cena do tubão e se sentiu traído.
O homem só não chamou Izaías e França Nery de santos nem de bonitos. De resto, eles ouviram de tudo um pouco. E, se não bastasse isso, encheu um balde com água e, irado, molhou o equipamento de transmissão com o jato d´água. E o tubo ficou comprometido.
Como estava no estúdio, José Carlos Antão teve que “segurar” a transmissão por mais de 20 minutos, dando todos os resultados possíveis e imagináveis, até que a jornada voltasse ao normal. Quando o equipamento foi secado, limpo e reestabelecido, Izaías não teve dúvidas no retorno ao rádio: “desculpem a nossa queda, chove muito forte no Morumbi”. O jogo e a transmissão foram até o fim. E os xingamentos do vizinho também. Ao término do trabalho, o homem em questão, ainda se sentindo traído, jogou ovos na dupla, que teve que correr para uma área coberta em desabalada carreira, na sede da emissora, para fugir da ovada.

E, em São Paulo, palco de São Paulo x Palmeiras, o sol foi de “rachar mamona” durante todo o dia da peleja. Mas, quem ouviu o tubão na Tabajara, não teve dúvida, de que choveu no Morumbi.

2 COMENTÁRIOS

  1. […] Certa vez, em Londrina, um tubão quase não terminou, fruto da revolta de um ouvinte que flagrou o trabalho. Idos de 1990/2000. Antiga rádio Tabajara, hoje Globo/CBN (quem se lembra da vinheta “TTAAAAAAAAAABBBAAAAAAA”?). Tarde de domingo. Paulistão na fase quente. São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rádio foi fazer um tubão da peleja. E fez. Mas quase não terminou. Leia mais […]

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