Cê tá louco Alemão!!!!

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Por Wilhan Santin

‘Cê ta louco, Alemão?’

Fui ontem ao Estádio do Café. Sentei-me na arquibancada. Gosto de observar a reação dos torcedores.

O Vitória começou melhor, pressionando o Londrina.

Aos 15 minutos do primeiro tempo, um cidadão, de bigode e hálito etílico bafejando na minha nuca, desferiu impropérios contra o time, contra o gestor, contra a mãe do árbitro, contra o treinador. Gravei algumas frases na memória: “Time ruim. Nunca vai subir.”

Dois minutos depois, Felipe Gedoz, do Vitória, cobrou magistralmente uma falta que nem Zeferino Pasquini defenderia. O mesmo torcedor quase enfartou. Disse que foi frango do goleiro. Que dava para pegar. Ensaiou um chilique. Cheguei a fazer sinal para o pessoal da ambulância.

Os dois cidadãos que o acompanhavam, apesar de um pouco mais contidos, também reclamaram de tudo. O mais novo deles, na casa dos 30 e tantos, cravou: “Hoje vamos tomar cinco! Cinco. Se perder só de três a zero tá no lucro.” O outro: “Cê tá louco, Alemão?”

Depois ficaram meio que moribundos, apenas emitindo grunhidos esporádicos, intercalados de xingamentos clássicos. Uma fineza.

Quando Anderson Oliveira empatou aos 45 do primeiro tempo, comemoraram emitindo palavrões. Abraçaram-se. Cena bonita de ver.

No intervalo, confabularam sobre o sistema tático. Enfatizaram que o treinador estava maluco, jogando com quatro atacantes e que o Londrina gosta de ressuscitar lanternas. “Empate hoje é lucro”, disse o mais novo dos três.

O Tubarão voltou do intervalo a mil por hora. Dagoberto virou logo no primeiro minuto. Anderson Oliveira ampliou no terceiro. Três a um.

Os caras se abraçaram efusivamente nos dois gols. Especialmente no terceiro, gritaram barbaridade. O bêbado do bigode bradou a plenos pulmões: “Alemão, você é gênio!”

Dali em diante, o Londrina controlou a partida. No final, eles se divertiram gritando olé junto do resto da galera. Quando o árbitro decretou o fim do jogo, a vitória do Tubarão e a volta do time para o G4, os três puxaram o coro: “Ah, vamos subir, Tuba! Vamos subir, Tuba”. E o bigode profetizou: “Deste ano não passa”.

Foram embora felizes. Eu também.

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