Caímos

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Enfim a novela teve o final esperado. Triste e amargo.

Londrina vai disputar a Série C em 2020, mas a queda é apenas um dos desafios (Foto: Reprodução RPCTV)

por Adriano Santiago

Está sacramentando, o Londrina jogará a Série C em 2020. Após derrota vexatória para o até então lanterna, São Bento de Sorocaba(SP). Para encerrar o drama mexicano que o Tubarão vivia, o Alviceleste tomou logo 4×1, para não deixar dúvidas que merecia ser rebaixado. O LEC não caiu ontem, foi a soma de diversos fatores que determinou a queda.

Diretoria Omissa

É inegável que Sérgio Malucelli renasceu o Londrina, todos sabem que o clube estava falido e prestes a fechar as portas. Mas também não se pode dizer amém a tudo. Os presidentes e conselheiros tiveram uma década – falta um ano para o término do contrato entre SM e LEC – para reerguer o Tubarão e fora resolução das dívidas pouca coisa avançou.

Não temos centro de treinamento, nem sede – administração fica anexa ao VGD, que pertence ao município -, os estádios – Café e Vitorino – são obsoletos e também pertencem a prefeitura. Mas o pior e não termos jogadores, nem base. Toda estrutura pertence ao gestor, a única propriedade do LEC é a torcida.

Amadorismo

O Londrina é apenas uma “barriga de aluguel”, quando um jogador se destaca logo é vendido. Não importa o impacto que causa no time. Não estou condenando a venda de atletas, pois no Brasil é necessário para fechar as contas. A crítica é a forma que são negociados. Quando se desmonta meio time no decorrer da competição, o risco é alto. Dessa vez custou a permanência na Série B.

O Alviceleste também tornou-se uma casa de apostas. O time é formado basicamente por jovens promessas, veteranos em fim de carreira e “craques bichados”, que usam a camisa do Tuba no retorno aos gramados. Nenhum dos perfis acima tem identificação com o clube, que é usado apenas como um trampolim.

Mudanças

Falta de um departamento de futebol, – estilo DIF do Athletico e CIM do Flamengo -. Estes clubes citados contratam conforme o perfil e a necessidade do time, não trazem uma barca de jogadores, para algum vingar. Com um orçamento pequeno, as contratações devem ser pontuais e o time moldado aos poucos, com a saída inevitavelmente de alguns. Mas com uma base sendo mantida e reposição a altura.

Outro fator importante, que o novo Presidente Felipe Prochet tem planos é a remodelagem do VGD, transformando-o em uma arena multiuso. Ideia muito interessante, pois além de trazer mais conforto ao torcedor e fazê-lo voltar ao estádio. Renderá novas divisas com shows, eventos e Naming Rights. Porém a proposta esbarra na burocracia, porque o Vitorino precisa ser cedido oficialmente por pelo menos 30 anos, para os investidores tenham interesse.

Mas a principal mudança no Londrina é andar com as próprias pernas. A diretoria precisa criar categorias de base, formar um time, construir um CT. Caso decida-se pelo modelo atual “privatizando” o time, que busque outro investidor com um perfil diferente, que não fique chamando o torcedor de ingrato. O Bragantino e a Ferroviária de Araraquara(SP) já seguiram esse caminho, podemos nos inspirar e almejar algo maior.

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