Cada jogo uma final

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Por Wilhan Santin

O Londrina by Alemão está conseguindo praticar o que quase todos os times da Série B adotam apenas como discurso: cada jogo é uma final. Os mesmos três pontos estão disponíveis em cada rodada. Não importa o adversário.

Aí está o diferencial de uma equipe formada por jogadores jovens e, em boa parte, crias do próprio clube.

Os níveis de concentração e dedicação são altos em todos os jogos. O resultado: aproveitamento de 72% e um lugar para chamar de seu no G4 após seis rodadas.

Até o imponderável joga a favor quando a vibe, para adotar uma linguagem mais jovial, é tão boa. Foi assim em Goiânia, na última vitória.

Nesta toada, o time tem tudo para conquistar pontos nas próximas duas partidas, ambas no Estádio do Café, antes da parada para a Copa América.

Aí é que o bicho pega. Estas primeiras oito rodadas servirão de termômetro para os clubes. Será outro campeonato depois que Messi e Neymar voltarem para a Europa e o Qatar conquistar a América do Sul.

Espero adversários reforçados. O Londrina perderá Luquinha e Felipe Vieira, que devem ir para o futebol português. Acertará nos reforços? Chegarão atletas de boa técnica? Dagoberto resolverá? Os novatos entenderão a filosofia de matar um leão por jogo?

Só o tempo ou meia dúzia de rodadas dirão. Serão trinta delas ao todo. Noventa pontos em disputa.

Muitos torcedores estão chateados pelo fato de o clube deixar os dois garotos saírem tão facilmente. Mas não dá para criticar o Sergio Malucelli. Ele que paga as contas e sabe onde o calo aperta.

Alguns o acusam de só pensar em lucrar. Sempre que pode, o gestor diz que ainda está no prejuízo. Nunca vi os balancetes detalhados. Porém, mesmo que sobre uns trocados para o SM, isso não é pecado. Aliás, é legítimo. Ele é um empresário e visa lucro. Ponto.

O que mais me preocupa é que não é exclusividade do Londrina perder garotos para o futebol internacional. Isso está generalizado no futebol brasileiro. Inclusive nos grandes da Série A. Fruto de nossa pobreza econômica e das pobres mentes de muitos que mandaram por anos nos clubes.

Há duas ou três décadas, os europeus contratavam craques que já estavam formados. Jovens, mas realidades. Agora, junto dos árabes e asiáticos, levam meninos. Terminam a formação no velho mundo. Compram por muito menos e lucram muito mais.

É como se fôssemos extratores de diamantes. Garimpamos, trabalhamos duro com pás e picaretas até achar alguma pedra valiosa. Quando, enfim, ela surge, entregamos para os gringos lapidar. Exportamos como pedras. Eles possuirão joias raras.

Um craque é o maior patrimônio que um clube pode ter. Em recente entrevista, Alemão disse que é difícil segurar um atleta quando uma oportunidade melhor aparece. É verdade. Mas para o futebol brasileiro renascer, é preciso ter os caras por mais tempo. Que joguem em alto nível pelo menos duas ou três temporadas em terras tupiniquins.

Os dirigentes precisam saber que isso renderá títulos. Na esteira, vêm patrocínios, premiações, mais torcedores. O clube cresce.

Por outro lado, jogadores e seus respectivos agentes e familiares precisam aprender a respeitar contratos.

Parece utópico, mas não é impossível, apesar de distante.

Na sexta-feira, o Tubarão entre em campo para mais uma final. Se possível, vá ao Estádio.

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