Andy Murray, o sobrevivente!

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Por Edson Ferracini

A cada derrota, cornetas. A cada vitória, picaretas.

Se perde para um jogador menos expressivo, é um “mente fraca”.

Se ganha do melhor do mundo, diminuem o feito.

Não há atenuantes para Andy Murray, desde sempre tratado como uma espécie de “patinho feio” do circuito mundial de tênis. O mancebo, além de ser desprovido de carisma, nunca fez questão da simpatia midiática. O “afeto” da imprensa é recíproco.

O fato é que, tecnicamente, esse tenista escocês sempre fez parte do “Big Four” do tênis, ao lado do suíço Roger Federer, do espanhol Rafael Nadal e do sérvio Novak Djokovic, seus contemporâneos.

Não importa se por “princípio de física”, pela “lei da gravidade” ou mesmo por uma “conspiração do cosmos” – a única certeza é seu inegável talento.

Andy Murray coleciona, em sua prateleira, o que existe de maior no tênis do planeta: Grand Slams, Masters Finals, Masters 1000 e, para completar, duas medalhas de ouro olímpicas em simples, a última em 2016, no Rio de Janeiro.

Como pode tão admirável talento ser um “patinho feio” entre os maiores? A resposta talvez seja tentar compreendê-lo sob a perspectiva do sobrevivente. 

O magnífico tenista escocês, nascido em Glasgow, em 1987, teve sua experiência com a morte muito cedo.

Tinha nove anos quando um louco assassino entrou na sala de aula onde estudava, na Dunblane Elementary School, e matou a tiros vários de seus coleguinhas. Andy escondeu-se debaixo de uma carteira junto ao seu irmão, Jamie.

Se a consciência da finitude em idade madura causa grandes mudanças comportamentais, imaginem o que provoca na cabeça de uma criança. Há por certo decisiva influência no modo de agir, de sentir.

E até de jogar uma partida de tênis.

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