Ah o Peixe! Foi minha primeira vez

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por Gabriel Gonçalves

O manto

1° de Agosto de 2010.
E lá íamos nós, eu, meu pai, um primo e dois amigos. Rumo à cidade de Presidente Prudente, com uma intenção: ver o peixe dar um show de bola. O timaço de Ganso e Neymar!
Logo de manhã, o primeiro problema. Eu estava com 40º de febre. Melhor eu ficar em casa, certo? Negativo. Não deixaria de ver o peixão jogar, ainda mais por ser meu primeiro jogo na arquibancada torcendo pelo Santos. Eu já havia visto jogos de grandes times no Estádio do Café, em Londrina. Times como Flamengo, América-MG, Fluminense, Atlético Paranaense e claro, o Tubarão também. Mas dessa vez, com certeza seria diferente!
Minha mãe queria que eu ficasse, mas não teve jeito. E lá fomos nós! Todos moravam próximos a minha casa, a não ser Fernando. Então passamos e pegamos ele. Eu acima do peso, ansioso, só pensava em uma coisa: ver o meu ídolo jogar, vulgo, Neymar.
Paramos na estrada algumas vezes. É só a ansiedade bater que a minha bexiga resolve não cooperar. Mas a viagem foi tranquila e não demoramos a chegar – mesmo para mim, parecendo uma eternidade.
Compramos alguns equipamentos. Meu primo comprou uma bandeira do Santos – a mesma bandeira que meu irmão perdeu na comemoração do título paulista em 2011, na av. Brasil em Cambé, e é cobrado por ela até hoje. Mas para mim, os equipamentos mais marcantes foram dois chapéus, os quais tenho até hoje. Em todas as finais eu usava. Agora não servem mais, preciso comprar outros.
Quando comprei o ingresso e passei pela catraca, a barriga gelou. Pensei que fosse necessidade de ir ao banheiro, mas ao chegar lá, notei que era apenas a ansiedade reaparecendo.
Depois disso fomos para a arquibancada. A essa altura, a febre já parecia nem existir. Comecei a cantar que nem um louco. Os times entraram e para a minha surpresa… os reservas! Fiquei triste, desesperado, mas segurei o choro. Eu não veria o Santos jogar.
Mas logo passou – tirando o fato de eu me lembrar até hoje como tudo aconteceu e ficar triste.
E começa o jogo. No início, o lateral Danilo (Juventus) mandou um tirambaço no ângulo e… golaço! Pulei, gritei e pensei: vai ser uma goleada? Que nada meus amigos! O Santos ampliou com Rodriguinho (Não sei onde está jogando). Novamente pulei e gritei, e novamente pensei: tá muito fácil.
Porém, todos os santistas sabem como é o Santos (o conhecido 3 x 0) e como de costume, o time adversário reagiu e diminuiu a vantagem no final do jogo. Neste momento comecei a ficar preocupado. Comprei um cachorro quente. Quando fico triste, me alimento!
E o jogo foi chegando ao fim! “Peixão” ganhando, felicidade prosperando. Mas do nada meu mundo parou. Pênalti para o Prudente. “Meu Deus do céu, não é possível que o santos vai fazer isso comigo”, eu pensava. “Febre alta, não vi meus ídolos e vim até aqui para ver meu time perder?”
E lá vai para a cobrança – eu não conhecia ninguém do outro time. No gol, um tal de Rafael. Dizem que ele foi importante em 2011, na conquista da libertadores. Partiu para o cobrança e vai lá, RAFAEEELLLLLLL. “CRISTO REDENTOR” gritei. O goleiro salvou. Eu amo esse goleiro! Como é o nome dele? Não lembro. Na verdade não importava.
Acabou? Santos ganhou? Nada disso… Em seguida, outro pênalti. “NÃÃÃÃÃÃÃO!” E lá vai para a cobrança. “NA TRAVEEEEEEE, CRISTO REDENTOR!² Acaba esse jogo logo, pelo amor de DEUS!”
E apita o árbitro. Fim de jogo. “UFA!”
Fomos embora. Chegando em Cambé, tivemos que ir ao hospital. Tomei uma injeção e a febre, dessa vez, realmente passou. Minha mãe ficou brava, mas eu e meu pai assistimos ao nosso primeiro jogo do Santos.
Ah, quase me esqueci. Teve uma briga no jogo. Fiquei com medo, mas os policias tiraram os marmanjos.

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