A felicidade de estudar na UEL

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Por Luciano Maluly

Estudar sempre foi uma obrigação em nossa casa. Minha mamãe era professora, Maria Aparecida (a dona Cidinha) e, talvez por isso, mantinha a rigidez conosco nesse quesito. Junto com meu pai, Jorge, precisaram “se virar nos 30”, como dizem por aí. Como ele era agricultor, parece que nada ajudava nos anos 1990, com períodos de pujança e outros destruídos pela natureza ou por planos econômicos e políticos. E, como dizem os sábios, nada mudou no Brasil. Porém, nunca desanimaram e formaram os três filhos. Minha irmã mais velha, Christiane, é médica pediatra, e a mais nova, Hellen, é farmacêutica e doutora em Ciências de Alimentos – assim como eu, ambas aprenderam a enfrentar as dificuldades e não baixar a guarda.

Minha mãe acreditava nos meus sonhos, revelados pelo entusiasmo em cada ideia de um menino caipira do interior de São Paulo que queria ser jornalista esportivo. “Acredita, Tuco!”, exaltando o meu apelido. Já meu pai insistia na tese de que as pessoas precisam estar atentas sem medo do destino. “Não importa quem saia vencedor, mas lute até o final”.

Com isso, percebi que o esporte imita a vida, com dias bons e outros ruins, cheios de vitórias e derrotas. Ou seja, o cotidiano se renova, como um campeonato em que cada jogo tem uma história.

No dia da minha colação de grau, eu disse a ambos: “Terminei os estudos”. De bate-pronto, veio a resposta: “Que nada filho. Agora, é que você começará a estudar”. A lição vale até hoje, e me dediquei tanto que ainda reproduzo os mesmos ensinamentos aos alunos do curso de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP).

Quando fui entregar meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), um fato curioso aconteceu. Era o começo da era do computador e perdi o arquivo da dissertação. Minha orientadora, Sonia Weill, fez algumas correções e, por isso, precisava revisar o texto. Fiquei desesperado, pois o prazo final para o depósito do trabalho se encerraria em dois dias. Não tive dúvidas e pedi socorro em casa. Minha mamãe pegou o ônibus de Piraju para Londrina imediatamente. Quando chegou, foi direto ao meu apartamento e disse: “Desce comprar dois pacotes de folhas sulfite e algumas fitas novas para sua máquina de escrever”. Quando cheguei, ela começou a datilografar e só parou quando meu trabalho estava pronto. Foi inacreditável.  Depois de depositado, ainda deram um prazo para a gente digitalizar o trabalho antes do depósito final.

O dia defesa do TCC foi um dos mais lindos da minha trajetória na Universidade Estadual de Londrina (UEL), com sala lotada, elogios e aplausos.  Um ritual acadêmico até hoje ainda vivo e cheio de magia.

Por isso, nunca desisti facilmente de um desafio e, caso precise, sempre recomeço com uma outra “grande” ideia.  O importante é não parar e contar cada história da melhor maneira possível.

Esses dias, fui perguntado, em uma palestra ministrada remotamente, sobre qual seria minha dica para quem está começando no jornalismo. Respondi que o importante é começar pelo que se gosta.

Sempre fui apaixonado por esportes e procuro descobrir, em cada personagem, a fibra transmitida por meus pais. Sempre digo à minha esposa Analuiza que, na luta diária, existe um atleta em cada cidadão cujo único objetivo é encontrar a felicidade, a mesma da dama na noite da minha formatura.

Luciano Victor Barros Maluly é professor na Universidade de São Paulo – [email protected]

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